Steve Jobs foi o executivo que transformou a computação em objeto de consumo, engajou pessoas para o ‘fazer diferente’ e incentivou o desconforto; de seus funcionários e de seus concorrentes
O legado de Steve Jobs, que faleceu ontem, certamente foi a capacidade de enxergar os negócios sob um novo olhar a partir de sua habilidade em mobilizar pessoas para trabalhar suas ideias.
Assim como gostava de definir, os produtos da Apple eram para os loucos e descontrolados. O executivo conseguiu através de sua habilidade em propor o novo tornar-se ícone de toda uma geração que descobriu a tecnologia não apenas como a solução de problemas e questões do cotidiano, mas como um novo objeto de consumo.
No curso de seus 56 anos de vida, o executivo tinha como premissa fazer o melhor. Seus produtos, quando na fundação da empresa, em 1976, propunha design funcional com software superior ao da concorrência; mas limitado ao público premium.
Essa estratégia mudou, quando Jobs reassumiu o comando da empresa em 1997. Desde então, foram mais de 317 patentes às quais Jobs emprestou seu nome, figurando entre os criadores e inventores responsáveis por projetos de gadgets e periféricos de todos os tipos, além de embalagens.
Jobs já vinha deixando sua posição de liderança à frente da Apple há algum tempo. Após anos lutando contra um câncer no pâncreas, o empresário renunciou a seu posto como CEO e presidente da Apple, cedendo lugar para o executivo Tim Cook.
Conhecido como um gênio, porém austero administrador e chefe, Jobs jamais exigiu de seus funcionários mais do que exigiu de si mesmo. Chegou a ser considerado arrogante, turrão, tirano e porque não, louco.
Lições de gestão e de vida
A genialidade do empresário pautou não apenas toda uma geração de geeks e designers, mas também muitos executivos.
Algumas lições de sua administração, principalmente após seu retorno à liderança da Apple, em 1997, talvez somente sejam compreendidas e aplicadas em sua plenitude muitos anos após o adeus do gênio.
Todas as suas criações e sua conduta empresarial eram pautados sob a ótica de sete grandes lições, que fazem alusão ao modo como o grande líder da Apple pensava seus produtos, sua empresa e atuava com seus pares:
1. “A inovação define líderes e seguidores” - uma nova forma de ver as coisas sempre gerou discussões, mas levou grandes mentes da história à posição de líderes em suas empresas e comunidades.
2. “Seja um fanático pela qualidade. A maioria das pessoas não está acostumada a um ambiente onde a excelência é a regra” - como tudo em sua vida, Jobs deixou a lição de que não há caminhos curtos a trilhar quando a regra é ter o melhor.
3. “A única maneira de fazer um grande trabalho é amar o que você faz. Se você ainda não encontrou o trabalho dos seus sonhos, não se acomode. Com todas as forças do coração, você saberá quando encontrar” - não há lugar para o conformismo àqueles que querem atingir seus objetivos. Levante, siga em frente e continue a perseguir suas metas.
4. “Um conceito do budismo é ‘uma mente de aprendiz’. É maravilhoso ter uma mente de aprendiz” - somente aquele que aprende com seus erros e tem a humildade de olhar para trás, sem preconceito ou remorsos, poderá ver com clareza o que está à sua frente.
5. “Eu sou a única pessoa que conheço que perdeu 250 milhões de dólares em um ano. É o tipo de coisa que molda um caráter” - não confunda erros com fracasso. Somente aqueles que aceitam a possibilidade de perder possuem força de caráter para arriscar.
6. “Nós existimos para deixar uma marca no universo. De outra maneira, por que estaríamos aqui?” - a maioria das pessoas deixa de dar importância aos pequenos gestos do dia a dia, e sua importância para o mundo que as cerca.
7. “Nosso tempo de vida é limitado. Não o gaste vivendo a vida de outras pessoas” - em 56 anos, Steve só viveu a vida de Steve, memoravelmente.
Portal HSM
06/10/2011